
Willy Biondani
Bia Pereira e Bob Costa, um casal que apostou tudo para se tornar porta-voz do azeite
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Choveu muito na fazenda, mas não tivemos grandes danos. O problema eram os acessos, estradas e pontes”, diz o jornalista Bob Vieira da Costa, que, em colaboração com sua esposa, Bia Pereira, jornalista, fundou o projeto Azeite Sabiá em dois locais: Santo Antônio do Pinhal, Fazenda Alto, Serra da Mantiqueira, São Paulo; no sul do país e a cerca de 200 quilômetros em linha reta de Porto Alegre.
O primeiro tem 17 hectares de oliveiras e o segundo 110 hectares. Foi salvo das águas violentas das enchentes de maio no Rio Grande do Sul – e aldeias inteiras foram imersas em um acontecimento que mudou a vida dos gaúchos. do Sul para sempre – o projeto do azeite Sabiá serve como farol da capacidade dos produtores de avançarem em um modelo que sirva de exemplo de tratamento de solo e produção de produtos que conquistem o mundo.
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A Forbes Agro esteve no local antes das cheias, no final da colheita da azeitona. Foi um momento especial para esta etapa: a gestão das oliveiras continua. Além disso, era hora de declarar uma aliança internacional. A partir de agora – todos os anos – o casal receberá o italiano Nicolangelo Marsicani, que no seu país é chamado de “o poeta do azeite”.
Terceira geração de produtores italianos, Marsicani venceu diversos concursos internacionais, é um renomado especialista, além de professor e fundador da Puntoevo, empresa de consultoria e serviços em toda a Itália, país onde o azeite de oliva, produto sagrado na alimentação e que exactamente no ano passado, em Maio de 2023, assistiu novamente a uma inundação histórica na região de Emilia-Romagna. Em apenas 36 horas choveu o equivalente a seis meses.
Marsikani diz que rejeitou a ideia de vir para o Brasil. “Não entendi por que queriam tanto que eu conhecesse esses países”, diz ele em meio aos olivais do Sabiá, lembrando a insistência do amigo para que agora recebesse brasileiros na Itália. Neste caso, a missão do engenheiro agrônomo Emanuel De Costa, que em 2019 se tornou sócio de Bia e Bob no projeto Sabiá da Vigia e é diretor de produção da fábrica.
Costa diz (e Marsikani confirma) que mentiu para ela durante dias antes de ceder à viagem. “Queria conhecer a fundo a produção, estar no lagar, fazer azeite. Mas ficamos apenas andando, até que ele se convenceu da minha insistência. Brasil”, diz Costa.
Oliveira na época da colheita
A história da busca pelo azeite
Na verdade, a persistência parece ser um mantra. Gaúcho nativo, Costa queria trabalhar com resina de madeira quando saiu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e se tornou mecânico. Foi pela insistência do professor que ele começou a trabalhar com azeite e também, pela insistência para que deixasse o intercâmbio para os Estados Unidos.
“No dia 1 de janeiro de 2016 tomei uma decisão que mudou a minha vida: comecei a trabalhar na olivicultura. Esse é o dia”, diz, que hoje é tipo de muitas máquinas, trânsito, colheita, colheita e, claro, estar na Itália no ano em que Marsicani não vem ao Brasil.
A primeira colheita do azeite Sabiá da Vigia foi realizada em 2022, a partir da plantação das variedades espanholas arbequina e arbosana; coratina, da Itália; o koroneiki, que veio da Grécia, e agora parece ser importante, é comum na Espanha, mas a sua origem é incerta. Não é à toa que Costa foi o responsável pela criação do engenho e ele é uma espécie de olhos e alma nas terras gaúchas.
O lagar processa atualmente 1.500 quilos de azeitona por hora, mas tem capacidade para até 4.000 quilos. As condições são de até 5 anos, mas a produção de árvores começa a se estabilizar por volta dos oito anos. “A Bia e o Bob me deram um voto de confiança e projetamos tudo, plano por plano, das lavouras, das máquinas e até das estradas”, afirma Costa.
Ele também é responsável por uma experiência: o cultivo de três hectares de uvas, com uma colheita colhida e armazenada como espumante. A área total é de 400 hectares, ou seja, com produção inferior a metade dessa área.
Celeiro de azeite gaúcho
Embora haja produção em Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Paraná, o Rio Grande do Sul é o maior produtor de azeite do país. O país possui 6 mil hectares de oliveiras em 113 municípios, o que representa 75% da produção estimada do país em 2023, na ordem de 500 mil litros, segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibra Oliva).
Mas esta é uma pequena parte do consumo de cerca de 100 milhões de litros, onde o Brasil é o segundo consumidor do mundo, atrás apenas dos EUA, que necessita de 300 milhões de litros de azeite, entre o virgem e o extra virgem,. o país somou 80,3 mil em 2023, por US$ 590,2 milhões (R$ 3 bilhões em maio), um recorde histórico de valor.
No total, foram pagos 489,3 milhões de dólares pelo azeite europeu, com destaque para Espanha, Portugal e Itália. Quase dos vizinhos Argentina e Chile, o Brasil comprou US$ 87,3 milhões em azeite.
Hoje há um movimento no Rio Grande do Sul nas redes sociais, que se resume em três palavras: resiliência, união e recuperação. No final desta edição da Forbes, o tempo ainda era do resgate, com perdas incalculáveis entre os produtores de vinho, cereais e pecuária.
Para o azeite, a colheita atual já foi colhida, mas não há dúvidas sobre a força da unidade e da disponibilidade em qualquer momento. Bia se lembra da época em que ela e Bob foram ao governo em busca de terras e falaram generosamente sobre o que encontraram.
Conhecíamos dois grandes produtores, Olivas do Sul e Próspero. Beto Aued e Daniel nos deram um grupo para cultivar azeitona”, conta Bia. E acrescenta: “Foram eles que disseram ‘se você quiser vir plantar no Rio Grande do Sul, lá é um lugar incrível’. A encruzilhada do Sul, a 500 metros acima do nível do mar, é a nova fronteira”. Então o Rio Grande do Sul também passou a ser a nossa casa. ”
José Alberto Aued, de Olivas do Sul, é produtor há quase vinte anos. A Prosperrato, do produtor Rafael Marchetti, cultiva 220 hectares de oliveiras, Caçapava do Sul, São Sepé, Barra do Ribeiro e Sentinela do Sul há mais de dez anos e também é vencedora de prêmios internacionais.
Bob e Bia disseram que, após discussões com os gaúchos, visitaram outras 20 fazendas, “mas só pensamos na Encruzilhada, um lugar lindo onde se cultivava melancia”, disse Bia. Não dizem quanto pagaram pelo terreno, mas o projeto já custou algumas vidas. “Sem contar o país, até agora investimos cerca de R$ 12 milhões”, diz Bob. Para fechar a compra de um imóvel no Rio Grande do Sul em 2017, venderam uma casa em São Paulo, outra casa na praia da Bahia e um apartamento em Nova York.
“É uma paixão, mas também é um negócio e você precisa dessa perspectiva”, diz Bob. “A magia do azeite é muito forte. Estamos a falar de algo com 6.000 anos.” produtos Sabiá já conquistou centenas de prêmios, incluindo o último, que aconteceu em abril.
A marca ocupa a segunda posição no guia espanhol Evooleum World’s Top 100 Extra Virgin Olive Oils, no grupo monovarietal “Arbequina”, com 91 pontos, apenas um abaixo do primeiro classificado.
O guia, publicado há duas décadas pela editora Mercacei, de Madrid, é uma espécie de bíblia da indústria. O italiano Marsikani afirma que a principal função do produtor é colocar na garrafa o que está no campo. Diz: “É ter na garrafa a mesma sensação que sentimos com a fruta, porque o azeite é o sumo da fruta”. “Além disso: o azeite não é feito no lagar, é feito no campo, e isso acontece de forma surpreendente no Rio Grande do Sul”.
Reportagem publicada na edição 119 da revista Forbes.
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