
Eduardo Muñoz/Reuters
O colapso da Bolsa de Valores de Tóquio na segunda-feira enviou ondas de choque nos mercados globais, incluindo Wall Street
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Depois de cair 12,4% e registrar o maior número de pontos desde a “Segunda-feira Negra” em 19 de outubro de 1987, Bolsa de Valores de Tóquio recuperou quase todas as suas perdas nos dois pregões seguintes. Na terça-feira (6), o índice Nikkei 225, principal indicador da bolsa japonesa, subiu 10,2%.
Foi o maior aumento percentual desde outubro de 2008 e o maior ganho de pontos na história do índice. Na quarta-feira, novo aumento de 1,2%. Com isso, a valorização acumulada em dois dias foi de 11,5%. Um desempenho impressionante, mas ainda não suficiente para cobrir as perdas de segunda-feira. E, mais importante: qual o limite dessa recuperação?
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Outros períodos de negociação também foram erráticos. Nesta quarta-feira (7), o índice Dow Jones, em Nova Iorque, fechou em queda de 0,60%, após subir 0,76% no dia anterior, após queda de 2,6% no início da semana. Já é Ibovespa caiu levemente na segunda-feira (5), de -0,46%, e subiu nos dois pregões seguintes.
Embora o país asiático esteja longe em termos espaciais, economicamente não está tão longe. João Vitor Araujo Saccardo, chefe de diversificação da consultoria Convexa, afirma: “O Japão é um grande financiador de países emergentes, incluindo o Brasil”. “Portanto, qualquer movimento nas taxas de juros japonesas afetará os mercados globais”.
BCs e dados
A razão da recente turbulência foi a decisão do Banco do Japão (BoJ), o banco central do Japão, que aumentou as taxas de juro em 31 de julho pela segunda vez em 17 anos.
Isso significa que os problemas acabaram? Fique quieto. Segundo Saccardo, a recuperação se deveu às declarações do vice-presidente do BoJ, Shinichi Uchida, de que a taxa de juros não subiria se os mercados continuassem instáveis. No entanto, os comentários de Uchida não impediram a possibilidade de um aumento das taxas de juro, apenas adiaram essa possibilidade.
E não afectam a principal causa da incerteza, que é a falta de acordo entre os financiadores sobre as perspectivas económicas. Um descompasso nas expectativas causa um colapso nos preços das commodities ações, moedas, propriedade Devemos ser Ganho de capital.
É o que vem acontecendo desde o final da semana passada, quando foram divulgados os relatórios de emprego nos Estados Unidos (salário) é muito pior do que o esperado. O receio de que a economia americana esteja a cair recessãoem vez de um declínio, fez os investidores pensarem numa possível mudança na política monetária dos EUA.
A Reserva Federal (Fed), que é o banco central da América, manteve a taxa de juro no nível mais elevado dos últimos 23 anos durante mais de um ano.
Mesmo antes da divulgação dos dados do salário, a expectativa era de uma dupla descida de 0,25 por cento da taxa de juro no final do ano, uma descida de 0,50 por cento. Agora, com os dados mais recentes, as estimativas mais fortes são de uma queda de 1,25% em dezembro, com redução nas três reuniões do Banco Central Americano marcadas para este ano.
Daí a importância do número de pedidos iniciais de seguro-desemprego, que os EUA divulgam todas as quintas-feiras – incluindo esta (8). A estimativa é de 241 mil inscrições, uma ligeira queda em relação às 249 mil inscrições da semana passada. Resultados significativamente diferentes dos esperados podem abrir novos movimentos de volatilidade no mercado mundial. Para ser examinado.
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