O que está por trás da Geração Z não postar fotos no feed do Instagram?
P
ou o que Geração Z
Não poste mais fotos no seu feed do Instagram?
Essa foi a primeira pergunta que a professora Victor Hugo
perguntaram 93 alunos entre 13 e 17 anos, do sétimo, oitavo, nono e segundo ano do ensino médio. Ele também queria entender se os jovens achavam bonito e seguro publicar fotos.
Victor então compilou todas as respostas dos alunos e as compartilhou no Twitter de forma postagem que logo se tornou viral
na rede social de textos e que suscita um importante debate sobre as demandas estéticas de nossa juventude.
Em bate-papo com CAPRICHO, o professor conta que o
A ideia de entender a relação dos seus alunos com as redes sociais surge inicialmente como uma preocupação pessoal. “Sempre notei que os alunos que me seguiam nas redes não tinham fotos no perfil, e além disso não alimentavam o ‘feed’, e a partir daí comecei a me perguntar se esse fato era apenas a ‘falta de conhecimento’ deles. pertencimento’ à rede ou se houve algum problema ligado a isso”, explica.
Ele diz que a decisão de compartilhar no Twitter veio da vontade de “levantar esse debate partir de uma análise real”. “Apesar da deterioração da rede ao longo do tempo, ainda é um local com potencial para discussões interessantes”, afirma. No entanto, ele ficou surpreso com o sucesso do post. “Foi uma loucura. Não esperava uma repercussão dessa magnitude, mas observando como aconteceu, minha pesquisa fez ainda mais sentido”, conta ao CH.
Victor conta que a pesquisa chamou a atenção de outros professores e pesquisadores, e de pais de adolescentes que sempre questionaram o comportamento dos filhos nas redes sociais. “Além da própria geração em questão, que comentou muito sobre as suas próprias perspectivas”, acrescentou.
Precisamos ouvir o que os jovens têm a dizer
Antes de levar o assunto para a sala de aula, Victor faz
uma visão geral das redes, especialmente em relação ao Instagram. “Comento sobre seu início até os dias atuais, destacando inclusive minha relação com a rede, e a partir daí eles se sentem confortáveis em participar”, explica.
Para iniciar sua pesquisa, o professor levou para a sala de aula as seguintes cinco perguntas para os alunos responderem:
- Por que eles não postam fotos no feed do Instagram?
- Por que eles raramente colocam uma foto no perfil?
- Por que eles só postam nos stories?
- O que você acha de quem posta conteúdo com frequência?
- Você acha que são bonitos/seguros para compartilhar fotos nas redes sociais?
Victor diz que os alunos estavam dispostos a responder. “Talvez eles nunca tenham parado para pensar nesse tema em que estão envolvidos, mas quando essa comunhão de ideias acontece com a turma como um todo, eles se expressam perfeitamente”, afirma.
Ele continua: “Precisamos colocar as relações entre a nossa juventude e a modernidade no centro do debate, porque é através dessa relação que elas se expressam no cotidiano, e esse avanço absurdo da tecnologia e das redes desperta a necessidade de entender como nossos jovens são afetados”, argumenta o professor.
O que a pesquisa mostrou
As respostas dos alunos esclareceram pontos muito importantes que Victor procurou compreender. O professor concluiu que o fato dos jovens não postarem foto no feed ou não incluírem a imagem do perfil Não se trata de um caso de “despertencimento” dos alunos às redes, mas, pelo contrário, demonstrou uma “perda de pertencimento” com a própria autoestima
.
O problema tornou-se ainda mais latente nas classes mais jovens. Os 20 alunos entrevistados do 7º ano, com idades entre 12 e 13 anos, ao todo, disseram que se sentiam “envergonhados com postar uma foto no feed pensando nos comentários e ‘provocações’ dos colegas”. Eles
“eles se sentem mais seguros nos stories porque as fotos saem rápido”. Apenas cinco alunos estão confiantes com a beleza. Os demais apontam vergonha em relação ao rosto, principalmente boca, sorriso e cabelo.
No 8º ano, apenas 8 dos 24 alunos Eles se acham lindos e confiantes. Para eles, que têm entre 13 e 14 anos, “o
As histórias proporcionam maior envolvimento, ao contrário dos feeds. Todo mundo tem medo de que pessoas mal-intencionadas criem imagens falsas com suas fotos. Eles têm vergonha de deixar uma foto exposta o tempo todo.”
No 9.º ano, os alunos dos 14 aos 15 anos dizem nunca encontrar uma fotografia “boa”, “por isso quase nunca tiram fotos e ficam tristes por não conseguirem um bom número de gostos”. De acordo com as respostas, eles sempre apagam e arquivam as publicações. Dos 26 alunos,
9 alunos se sentem bonitos e seguros.
Na pesquisa com 23 alunos do 2º ano do ensino médio, todos disseram que se achavam confiantes e bonitos. Ao mesmo tempo, t Todo mundo presta muita atenção antes de postar uma foto, já que “o feed exige fotos melhores”. “⅔ da turma fica MUITO envergonhada com as curtidas porque isso é uma competição. Alguns têm dificuldade em dar ou receber elogios”, mostrou a pesquisa do professor.
Na postagem no Twitter, o professor destacou o contexto em que a pesquisa foi realizada: trata-se de uma “escola periférico, onde a maioria dos estudantes são carentes e uma grande proporção de homens e mulheres negros”.
Na percepção de Victor, as respostas mostraram que as redes sociais têm despertado muita demanda estética na nossa juventude. “Essa cobrança permeia o Instagram, mas está completamente ligada à forma como os jovens se sentem fisicamente e como se expressam socialmente”, analisa.
O professor destaca que “a falta de autoestima não é um problema agora, mas as redes sociais têm interferido de forma violenta nesse processo de aceitação”.
“A formação desse padrão de beleza já está consolidada com redes de influenciadores, e nossos jovens não se sentem parte desse projeto de beleza totalmente comercial que molda nossas interações e comportamentos”, afirma.
A análise de Victor ainda não acabou. O professor tem planos de escrever um artigo sobre o tema. “Quero comparar outras perspectivas, saindo da periferia e entendendo como o tema está presente em outros setores da sociedade. Quero que o artigo consiga ampliar a agenda, respondendo às nossas dúvidas além de oferecer suporte aos problemas da nossa juventude”, afirma.