Pedir ajuda não é tão complexo quanto parece
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A taxa de suicídio entre jovens brasileiros cresceu 6% entre 2011 e 2022, segundo estudo do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs), da Fiocruz Bahia. Diante de números como esse, esta campanha Setembro Amarelo carrega o lema “Se precisar de ajuda, peça ajuda” incentivar a busca por apoio como forma de prevenção ao suicídio.
Sim, sabemos que pessoas que estão enfrentando momentos difíceis e pensando em tirar a própria vida muitas vezes têm dificuldade em falar sobre seus sentimentos com alguém, mas é importante mostrar isso Pedir ajuda não é tão complexo quanto parece – e é muito necessário. Você pode procurar alguém da sua família ou um amigo de confiança, mas também existem espaços de acolhimento seguros como o CVV (Centro de Valorização da Vida) .
O que é CVV e como funciona
Criado em São Paulo em 1962, o O CVV apresenta-se como “um serviço voluntário gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que queiram e necessitem falar, sob total confidencialidade e anonimato”. Com 3,5 mil voluntários espalhados por todo o país e totalizando cerca de 7 mil atendimentos por dia, a associação se tornou referência no Brasil quando o assunto é apoio emocional e prevenção ao suicídio.
Há 25 anos, Antônio Batista faz parte da equipe de voluntários do CVV, na unidade Pinheiros, em São Paulo. Ele diz que Um anúncio que viu na televisão há muitos anos foi o gatilho para que ele se tornasse voluntário. Com o passar do tempo, os detalhes do anúncio acabaram saindo de sua cabeça, mas ele lembra que no vídeo apareceu um jovem, que passava por um momento delicado, e tentava pegar um telefone, mas sua mão passou o dispositivo, e ele não obteve a ajuda que procurava.
“Na época, pensei que se Se ele tivesse conseguido conversar com alguém naquele momento, poderia ter feito diferença”, conta Antônio ao CAPRICHO. A situação fictícia o inspirou a ajudar pessoas que passam por esse sofrimento na vida real. Para isso, passou por um treinamento CVV, que inicialmente dura 8 semanas – depois, ao longo do voluntariado, há treinamentos de aperfeiçoamento e atualização.
Para se inscrever no voluntariado, você deve morar em Brasil, ter mais de 18 anos e estar disposto a ajudar. “O mais importante é você acreditar inclusive na sua capacidade de doar”, argumenta Antônio, que explica que o papel do voluntário não é julgar e sempre acolher a pessoa em situação de sofrimento.
Então, se você está pensando em pedir ajuda ao CVV, mas sente vergonha ou medo de julgamentos, não se preocupe. Os voluntários estão preparados para te ouvir, sem assumir ou criar opiniões sobre o que você está falando, ok?
Como você pode entrar em contato com o CVV
A forma mais conhecida de falar com o CVV é pelo telefone 188. A ligação é gratuita e voluntários estão disponíveis 24 horas por dia para atender quem precisa. Mas também existem outras formas de conversar com o CVV, como chat no site ou e-mail.
Antônio conta que esses canais online foram criados pensando muito nos nossos jovens – faixa etária que mais cresce em casos de suicídio. “Muitos adolescentes têm uma certa preferência por escrever em vez de falar, por isso é notável a sua presença neste tipo de serviços”, afirma a voluntária. “Os jovens precisam lidar com questões muito complexas que fazem parte do crescimento humano e, muitas vezes, nem têm tempo de amadurecer emocionalmente para lidar com elas”, acrescenta.
– Telefone 188: ligação gratuita, disponível 24 horas por dia;
– Chat no site: todos os dias da semana em horários definidos;
– E-mail: [email protected];
– Presencial: em 97 pontos de atendimento em 20 estados e no Distrito Federal.
O que acontecerá se você pedir ajuda ao CVV
Os serviços do CVV são um local seguro, garante Antônio. Ele reforça que os voluntários são treinados para ouvir com empatia e acolhimento, sem críticas ou julgamentos. Ao ligar ou enviar mensagem, a pessoa não é obrigada a se identificar, dizer nome, idade ou sexo. Ela só se apresenta se quiser, assim como só compartilha as histórias e sentimentos com os quais se sente confortável. O voluntário nunca irá te encher de perguntas e te obrigar a falar, além de não ter nenhum preconceito religioso, político-partidário ou empresarial. E tudo o que é dito é totalmente confidencial, sabia?
Após o primeiro atendimento, a pessoa pode ligar novamente para conversar mais, ou continuar enviando mensagens até sentir necessidade. Para quem ligar, vale dizer que os voluntários do CVV não vão te dizer o que fazer, nem resolver o seu problema de uma vez, a ideia é que você sinta que pode falar de uma forma formulário aberto em um ambiente seguro. Vai ter alguém ali para te ouvir desabafar, deixar escapar, te acalmar e repetir que, apesar da dor, a vida vale a pena.
Ninguém precisa sofrer sozinho. Se precisar conversar, ligue 188 ou faça uma visita www.cvv.org.br ou se notar que um amigo está com pensamentos suicidas, você pode acolhê-lo e também indicar o CVV.