O papel da escola na atenção à saúde mental e na prevenção do suicídio
J.
Ei, você se sente bem-vindo na escola? Você conversa com amigos e professores sobre questões emocionais? Ou será que o ambiente escolar a perpetua ao silenciar a sua dor? Estas questões são necessárias, uma vez que o A escola não é fundamental apenas na formação do conhecimento, mas também no bem-estar das crianças e adolescentes como vocês, leitores do CAPRICHO.
Esta é uma bandeira defendida por Karen Scavacini, Doutor em Psicologia e Fundador do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio. Ela rebate quem diz que “as escolas não são clínicas”, como forma de isentar de responsabilidade a instituição e seus profissionais.
“E A escola não é uma clínica de psicologia, mas é o local onde os jovens estão e precisa cuidar do seu bem-estar mental”, enfatiza em entrevista ao CH na última semana de setembro, mês em que o Acontece campanha brasileira de prevenção ao suicídio.
Saúde mental dos jovens em 2024
Quando falamos em saúde mental dos adolescentes, o cenário é preocupante. As taxas de depressão entre o nosso povo estão apenas aumentando. P pela primeira vez na história, registros de ansiedade entre crianças e jovens superam os dos adultos, segundo análise da Folha com base na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS de 2013 a 2023, período com dados disponíveis.
E o A taxa de suicídio entre jovens brasileiros cresceu 6% entre 2011 e 2022, como mostra estudo do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs), da Fiocruz Bahia.
A realidade refletida nesses dados ocorre de forma multifatorial, segundo Karen, que afirma não ser possível reduzir questões tão complexas e colocar a culpa apenas nas redes sociais. Sim, a tecnologia e a hiperconectividade têm um grande papel no problema, mas há muitos outros aspectos a serem discutidos, como as alterações climáticas e o contexto pós-pandemia em que estamos inseridos, explica o especialista.
“Por mais que pareça que já faz muito tempo que a pandemia aconteceu, os jovens enfrentam dificuldades para enfrentar as frustrações e o convívio em decorrência de dois anos atípicos que seriam muito importantes para o seu desenvolvimento”, analisa Karen, lembrando como grande parte do nosso povo fica isolado diante das telas.
Pesquisas mostram isso em números, como o relatório “Juventude e Ensino Secundário”, publicado pela UNICEF e pela Rede de Conhecimento Social em 2023, que constatou que 9 em cada 10 estudantes do ensino médio relatam ter sofrido algum problema de saúde devido à pandemia. . Os principais são ansiedade, uso excessivo de redes sociais e exaustão. O estado emocional e a qualidade do sono são considerados regulares ou ruins por quase 6 em cada 10 deles.
É preciso olhar para todos os lados do problema
Diante deste cenário de socialização deteriorada, o papel da escola torna-se ainda mais necessário no cuidado da saúde mental dos jovens. Primeiro, porque Questões emocionais influenciam a aprendizagem e também podem levar ao abandono escolar. Mas há outro problema que está diretamente relacionado aos problemas psicológicos e que não pode ficar de fora da pauta: a violência escolar.
No primeiro semestre do ano passado, observamos um triste onda de ataques violentos em instituições de ensino brasileiras . Os casos que ceifaram a vida de alunos e professores vão muito além do problema da falta de segurança, como aponta o relatório da Campanha Nacional pelo Direito à Educação (CNDE ), publicado em dezembro de 2022. Segundo o estudo, c casos de ataques a escolas perpetrados por estudantes e ex- – os alunos, em geral, eles são normalmente associado com intimidação e situações prolongadas de exposição a processos violentos , incluindo negligência familiar, autoritarismo parental, etc. conteúdo divulgado nas redes sociais e aplicativos de mensagens.
Desde então, houve avanços, sim, como o lei que reforça proteção de crianças e adolescentes contra violência nas escolas mas precisamos ir mais longe. “Como a maioria das leis, ela precisa ser implementada. Temos o exemplo da Lei de Prevenção ao Suicídio, que está praticamente no papel”, aponta Karen. Mas o especialista afirma que não se trata de colocar toda a responsabilidade apenas na escola ou sobrecarregar ainda mais os professores. A instituição precisa de apoio jurídico para colocá-lo em prática.
Ela dá o exemplo de casos em que uma instituição identifica um aluno com sofrimento mental e necessitando de tratamento, mas a demanda da CAPES já é muito alta e a escola fica desamparada nesse sentido. Ou aqueles casos em que, para implementar projetos de saúde mental, é necessário sobrecarregar os professores, que nem sequer receberam a formação correta para isso.
“É preciso implementar leis que apoiem essas escolas e profissionais para que possam implementá-las dentro da sua realidade e dentro das adaptações culturais que são necessárias em cada região do Brasil”, argumenta Karen.
Mas então, como as escolas podem ajudar na saúde mental dos alunos?
Karen, que é CEO da Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção ao Suicídio, afirma que o As próprias escolas trazem relatos de jovens extremamente ansiosos, com dificuldade de concentração e realização de tarefas, e aumento de casos de depressão e automutilação. “É óbvio que no final destas situações haverá o suicídio, como acusação de que há muitas coisas que estão erradas em termos da sociedade e da forma como esta lida com questões psicológicas, psiquiátricas e culturais”, afirma o especialista.
Para ajudar a evitar que chegue a esse extremo, a escola pode atuar ao longo do caminho, desde a prevenção até pequenos ajustes práticos na vida do aluno.
“O papel da escola é identificar os jovens em situação de sofrimento, falar com os responsáveis e encaminhá-los para tratamento adequado. Se possível, tenha acesso a um psicólogo escolar que possa fazer uma avaliação e também trazer esse tema para dentro da sala de aula, para diminuir o estigma e o preconceito em relação à saúde mental”, afirma Karen.
O especialista destaca outras ações importantes que gestores e professores podem aplicar:
- Trabalhar na educação socioemocional para que os jovens possam aumentar seu repertório emocional;
- Trazer debates sobre a higiene do sono, pois muitos jovens não dormem bem e isso tem relação direta com a saúde mental e a aprendizagem;
- Ensinar os alunos a se organizarem para realizar tarefas e aplicar técnicas de concentração, diante do uso excessivo de telas e distrações;
- Trabalhar com racismo estrutural, homofobia e inclusão – são temas que deveriam estar sempre no âmbito escolar.
Você também pode fazer a sua parte, meu jovem
Atenção, se você desconfia que algum amigo não é legal, convide-o para um bate-papo, coloque-se à disposição sem ser invasivo e pergunte se ele se sente confortável em contar o que está acontecendo. Ofereça-se para ouvir e lembre-se que seu papel não é resolver o problema, mas sim acolher a pessoa. Ele pode fazer duas maneiras primeiro de falar.
Se durante essa conversa, ou nas redes sociais, você descobrir que seu amigo está se machucando ou tendo pensamentos sobre a morte, você não pode manter isso em segredo. Não é como se você fosse contar para todo mundo, mas você precisa incluir um adulto de confiança, que pode ser um professor ou um membro da família, para orientá-lo sobre o que fazer.
“O principal é não ser passivo diante do sofrimento do outro. Se não sabe o que fazer, procure informação ou conte para alguém”, alerta Karen.
Ninguém precisa sofrer sozinho. Se precisar conversar, ligue 188 ou faça uma visita www.cvv.org.br ou se notar que um amigo está com pensamentos suicidas, você pode acolhê-lo e também indicar o CVV.