Os pacientes recebem tratamento em um centro mpox dedicado no hospital geral de Nyiragongo, na cidade congolesa de Goma, em 16 de agosto de 2024
GUERCHOM NDEBO
Um total de 18.737 casos suspeitos ou confirmados de mpox, anteriormente conhecida como ‘varíola dos macacos’, foram registados desde o início do ano em África, um continente que enfrenta a propagação de uma nova estirpe mais mortal e transmissível do que as anteriores. .
Foram identificadas diversas variantes do vírus, reforçou este sábado (17) a Agência de Saúde da União Africana, África CDC, especificando que até agora foram registados este ano 3.101 casos confirmados, 15.636 casos suspeitos e 541 mortes pela doença em 12 países. o continente.
Desde o início de 2024, foram notificados mais casos do que em todo o ano anterior, quando esse número era de 14.838, acrescentou.
A República Democrática do Congo (RDC), epicentro da epidemia, concentra quase todos os casos notificados, com 16.800 casos suspeitos ou confirmados, segundo a mesma fonte.
Desde o início deste ano, mais de 500 mortes por mpox foram relatadas no país de cerca de 100 milhões de pessoas.
No Burundi, país vizinho, foram registados 173 casos (39 confirmados, 134 suspeitos), um aumento de 75% numa semana.
– Nova cepa –
África enfrenta a propagação de uma nova estirpe do vírus, detectada na RDC em Setembro de 2023 e denominada “Clado 1b”, que é mais mortal e mais transmissível que as anteriores.
Os primeiros casos desta variante também foram notificados fora de África esta semana, na Suécia e no Paquistão.
Embora afirme que o risco global para a população na Europa permanece “baixo”, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) instou na sexta-feira os países da União Europeia a prepararem-se para o surgimento de mais casos desta estirpe mortal.
Na quarta-feira, a OMS declarou a mpox uma emergência de saúde pública de importância internacional, o seu nível de alerta mais elevado.
A organização já havia tomado decisão semelhante em 2022, quando uma epidemia de mpox, transmitida pelo “Clado 2b”, se espalhou pelo mundo. O alerta foi levantado em maio de 2023.
Na sexta-feira, esta organização internacional apelou ao aumento da produção de vacinas para conter a propagação da doença.
“Precisamos que os fabricantes aumentem a sua produção para que tenhamos acesso a muito mais vacinas”, disse a porta-voz da OMS, Margaret Harris, à imprensa.
– Duas vacinas –
A agência de saúde da ONU pediu aos países com stocks de vacinas que as doassem a estados com surtos de mpox.
Os especialistas em imunização da OMS recomendam duas vacinas contra a doença: a MVA-BN, produzida pelo laboratório dinamarquês Bavarian Nordic, e a japonesa LC16.
A varíola é uma doença viral transmitida de animais para humanos e também por meio do contato físico próximo com uma pessoa infectada pelo vírus.
O “Clade 1b” causa febre, dores musculares e lesões por todo o corpo, enquanto as cepas anteriores eram caracterizadas por erupções cutâneas e lesões localizadas na boca, face ou genitais.
A doença foi descoberta em humanos em 1970 no Zaire, hoje RDC, com a disseminação do subtipo “Clado 1”, do qual a nova variante é uma mutação.