Congresso anual de oncologia em Barcelona
Manauré QUINTERO
De coquetéis de tratamentos inéditos ao uso de inteligência artificial, o combate ao câncer obteve avanços significativos no Congresso anual da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (Esmo), que termina nesta terça-feira(17) em Barcelona.
– Possibilidade de amamentação após câncer de mama –
De acordo com dois estudos internacionais apresentados nesta grande conferência, que reuniu mais de 30.000 médicos especialistas e investigadores de todo o mundo, as mulheres que amamentam após receberem tratamento para o cancro da mama não enfrentam um risco aumentado de recorrência.
Isto também se aplica às mulheres afetadas por uma mutação genética (BRCA), fenómeno que aumenta consideravelmente o risco de desenvolver este tipo de cancro.
A gravidez e a amamentação após doenças eram temidas anteriormente, pois ambas envolvem alterações nos níveis hormonais.
“Estes resultados são essenciais para as mulheres que desejam engravidar e amamentar após o cancro da mama”, disse Fedro Alessandro Peccatori, diretor da unidade de reprodução do Instituto Europeu de Oncologia em Milão, Itália. leu e co-autor de um dos estudos.
– Imunoterapia dupla para câncer de pulmão –
A imunoterapia, que consiste em estimular o sistema imunológico a combater tumores, já se mostrou eficaz contra o câncer de pulmão.
Um novo estudo de fase 2 (que avaliou a eficácia do medicamento em pessoas com a doença, seus efeitos colaterais e riscos) mostrou resultados promissores para pacientes com câncer de pulmão metastático (não microc, ético).
A ideia é associar não uma, mas duas imunoterapias à quimioterapia.
“Ao indicar um segundo alvo do sistema imunológico e combinar esses tratamentos, os níveis de resposta parecem melhores, ou seja, o número de pacientes nos quais o tumor diminui”, comentou Nicolas Girard, oncologista do Instituto Curie de Paris.
– Um câncer relacionado à gravidez quase erradicado –
Uma combinação de imunoterapia e quimioterapia deu excelentes resultados contra uma forma muito rara de cancro relacionado com a gravidez (1 caso em cada 10.000 gravidezes), que se desenvolve a partir da placenta.
Graças a esta combinação de tratamentos, 96% dos cancros num grupo de pacientes foram erradicados.
“Um resultado excepcional”, comemorou Beno�t You, oncologista do Hospices Civiles de Lyon (França), que apresentou o estudo.
– Inteligência artificial para medicina personalizada –
Um modelo de inteligência artificial de “segunda geração” abriu caminho para os tratamentos do futuro.
Esse algoritmo gigantesco funciona a partir de um banco de dados de mais de 1 bilhão de imagens de tumores de cerca de 30 mil pacientes nos Estados Unidos.
O modelo é capaz de “detectar uma série de anomalias moleculares e mutações que o olho humano nem sempre consegue ver”, disse à AFP Fabrice André, diretor de pesquisa do instituto francês Gustave-Roussy.
No longo prazo, os médicos esperam contar com a ajuda desta IA para personalizar os tratamentos.
– Esperança de preservação dos órgãos afetados –
A imunoterapia combinada com a radioterapia antes da cirurgia melhora a sobrevivência global num número crescente de cancros (mama, bexiga, colo do útero…).
Parece também que os tratamentos administrados antes da cirurgia permitem cada vez mais “preservar os órgãos”, explicou Fabrice André.
“A preservação dos órgãos é absolutamente fundamental para uma qualidade de vida mais próxima da normalidade”, frisou.
Um estudo divulgado nesta segunda-feira mostrou resultados animadores sobre a capacidade de preservação do reto em casos de câncer que afeta essa parte do trato digestivo, já que os tratamentos permitiram o desaparecimento total do tumor.
“Até agora o padrão tem sido a cirurgia, mas parece que estamos a entrar numa nova era onde a cirurgia pode ser evitada”, disse David Sebag-Montefiore, oncologista e professor da Universidade de Leeds (Reino Unido).
Esse avanço poderá ser aplicado a outros tipos de câncer, como câncer de pulmão e tumores da área de otorrinolaringologia.