Foto mostra o aplicativo da plataforma X (antigo Twitter) em um smartphone no Rio de Janeiro, Brasil, em 18 de setembro de 2024
Mauro Pimentel
A rede social
“A aplicação X foi atualizada (…) da noite para o dia, o que resultou em uma mudança significativa em sua estrutura.” Essa mudança “torna o bloqueio muito mais complicado”, disse a Abrint em comunicado publicado em seu site.
O antigo Twitter voltou a ficar parcialmente acessível no Brasil nesta quarta-feira, após ser suspenso em 30 de agosto pelo Supremo Tribunal Federal após descumprir ordens judiciais.
A plataforma passou a utilizar os serviços da Cloudflare, empresa de segurança cibernética, disse Basílio Rodriguez Pérez, consultor da Abrint, à AFP.
A versão mais recente da aplicação “começou a procurar conteúdo X através da Cloudflare (…) Não vai mais procurar X diretamente através das próprias redes do X, vai procurar através da Cloudflare, que naturalmente tem outros IPs”, disse.
Essa empresa permite que os endereços IP da internet mudem constantemente, o que dificulta o bloqueio em relação a IPs específicos, segundo a Abrint.
O Supremo Tribunal Federal (STF) disse à AFP que estava “verificando informações sobre o acesso ao X por parte de alguns usuários”.
– Bolsonaro de volta –
O ministro do STF, Alexandre de Moraes, ordenou o bloqueio da rede de Elon Musk, acusando-a de descumprir ordens judiciais de suspensão de contas acusadas de desinformação e de se recusar a nomear representante legal no Brasil.
Ao bloquear a rede, Moraes alertou os 22 milhões de usuários da plataforma no Brasil que quem violasse a ordem e acessasse a plataforma por meio de “subterfúgios”, como redes privadas virtuais (VPN), estaria sujeito a multas diárias de 50 mil reais.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, um dos maiores críticos do bloqueio, apressou-se em publicar na plataforma esta quarta-feira pela primeira vez desde 30 de agosto.
“Parabenizo a todos pela pressão que moveu as rodas em defesa da democracia no Brasil (…) banir a maior rede social do país não foi punir uma empresa, foi punir milhões de brasileiros”, expressou Bolsonaro, muito próximo do magnata Musk .
– Usuários surpresos –
Segundo Rodriguez Pérez, o Cloudflare é usado por “mais de 24 milhões de sites (incluindo) bancos, a imprensa e até mesmo os próprios sites do governo brasileiro”.
“Temos que aguardar novas orientações sobre o que fazer e como fazer, porque não é possível simplesmente bloquear algo que possa bloquear um serviço importante ou necessário”, explicou o porta-voz da associação.
No antigo X, alguns usuários manifestaram surpresa com o retorno da rede.
“Ministro Alexandre de Moraes: Não usei VPN para chegar aqui, simplesmente abri o aplicativo como parte de um ritual diário de abstinência e estava funcionando, não tenho 50 mil para pagar essa brincadeira”, escreveu um usuário em X.
A ordem judicial para suspender a plataforma reacendeu o debate sobre a liberdade de expressão e os limites das redes sociais dentro e fora do país.
Moraes se envolveu em um embate nos últimos meses com Musk, que acusou o ministro do STF de ser um “ditador do mal”.
A decisão de bloquear o X foi aplaudida por apoiadores de esquerda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.