A Polícia Federal tentará identificar as pessoas que continuaram usando o X (antigo Twitter) mesmo após a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de suspender a rede social do país, apurou-se. CartaCapital.
Moraes aprovou o pente fino no início desta semana, com o objetivo de identificar quem fez “uso extremo” da rede bloqueada, e teve o aval do Ministério Público. Na decisão em que suspendeu X, definiu uma multa de 50 mil reais para quem acessa o X por meio de um subterfúgio tecnológico como uma VPN.
A sanção é objeto de contestações em ações pendentes na Justiça. Uma delas partiu da Ordem dos Advogados do Brasil, segundo avaliação de que a multa representa “grave ofensa a direitos fundamentais”.
Inicialmente, a PF deverá identificar o usuário e notificá-lo de que o uso da plataforma é proibido pela Justiça. Caso o internauta continue com o comportamento, a sanção será aplicada.
Alguns políticos, principalmente aqueles que têm o ministro do STF como alvo preferencial, continuaram a usar o X apesar da ordem judicial. É o caso do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que publicou um cartaz na plataforma convocando apoiadores para o evento do dia 7 de setembro na Avenida Paulista, em São Paulo.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) escreveu: “Se faço esse post, assumindo todos os riscos, é porque acredito que vale a pena lutar pela nossa liberdade e a dos nossos filhos. Brasil.”
A rede social de Elon Musk foi suspensa por não indicar representante legal no Brasil, como exige lei. O bloqueio foi aprovado por todos os ministros que compõem a Primeira Turma do STF.
A suspensão ocorreu depois que o bilionário fechou o escritório X no Brasil, alegando que seus funcionários foram ameaçados de prisão por Moraes.
Musk está envolvido há meses em uma campanha contra o ministro, a quem costuma chamar de “ditador”. Moraes, por sua vez, acusa a rede de descumprir ordens de bloqueio de contas identificadas como disseminadoras de desinformação e discurso de ódio.
Na manhã desta quinta-feira, Moraes montou um multa de 5 milhões de reais à plataforma por agir “de forma intencional, ilegal e persistente” ao utilizar outros servidores para abrir janela de acesso no Brasil. O juiz também determinou que a empresa comprovasse a nomeação de dois advogados como seus representantes legais no Brasil.