Esta imagem promocional, cortesia da Maxar Technologies, tirada em 7 de junho de 2024, mostra a espaçonave Boeing Starliner ancorada na porta da frente da Estação Espacial Internacional (ISS)
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A decisão de transferir a tripulação do Starliner para uma missão da SpaceX devido a problemas de desempenho é a mais recente de uma longa série de contratempos desde os primeiros voos de teste da espaçonave Boeing.
Reveses que causaram anos de atrasos no cronograma inicial e minaram a credibilidade da gigante aeroespacial.
– 2014: Contrato com NASA –
Em 2014, a NASA escolheu duas empresas, Boeing e SpaceX, para desenvolverem cada uma uma nova nave espacial capaz de transportar os seus astronautas para a Estação Espacial Internacional (ISS).
A agência espacial dos EUA solicitou que estivessem prontos até 2017 para deixar de depender das naves espaciais russas, que tinham sido utilizadas desde a retirada do vaivém espacial dos EUA em 2011.
A Boeing ganhou um contrato de US$ 4,2 bilhões, em comparação com os US$ 2,6 bilhões da SpaceX.
Na época, a empresa do bilionário Elon Musk foi considerada a “perdedora” contra a Boeing.
– 2019: erro em voo de teste –
Em dezembro de 2019, durante um primeiro voo de teste não tripulado, a cápsula não foi colocada na trajetória correta e retornou à Terra prematuramente após dois dias, não conseguindo atracar na ISS.
A falha ocorreu porque a espaçonave não sabia que horas eram devido a um erro em seu relógio interno, que estava onze horas atrasado. Isso evitou que a cápsula disparasse os propulsores no horário programado.
A NASA percebeu então que outro problema no computador poderia ter causado uma colisão catastrófica. Ela deu ao fabricante uma longa lista de recomendações e modificações a serem feitas.
– 2021: falsa esperança –
Em agosto de 2021, quando o foguete já estava na plataforma de lançamento para mais uma tentativa de voo, um problema de umidade provocou uma reação química que bloqueou a abertura de algumas válvulas da cápsula.
Como resultado, ela voltou à fábrica para vários meses de inspeção.
Entretanto, a SpaceX transportou astronautas para a ISS (a partir de 2020).
– 2022: primeiro sucesso –
Em maio de 2022, a Starliner completou seu primeiro voo de teste não tripulado.
Apesar de alguns contratempos, como um problema no sistema de propulsão, a espaçonave decolou, chegou à ISS, onde permaneceu atracada por vários dias, e pousou na volta em um deserto nos Estados Unidos.
– 2023: novo atraso –
Em 2023, foram revelados outros problemas que atrasaram os preparativos para o primeiro voo tripulado.
Um deles foi causado pelo desenho dos paraquedas que desaceleram a cápsula quando ela retorna à atmosfera. Foi modificado e novos testes foram realizados.
A outra foi ainda mais surpreendente: a fita adesiva usada para enrolar vários metros de cabos elétricos no interior da cápsula revelou-se inflamável e teve de ser removida.
– 2024: primeiro voo tripulado de curta duração –
No início de junho de 2024, chegou o grande dia: a cápsula decolou com seus dois primeiros astronautas em uma missão de teste final para provar que o Starliner era seguro e então iniciou suas operações.
Mas durante o voo foi descoberto um vazamento de hélio, gás usado para criar pressão no sistema de propulsão.
Vários propulsores falharam antes da cápsula atracar na ISS, embora todos, exceto um, tenham reiniciado.
Esses problemas levaram a NASA a temer que a cápsula não conseguisse atingir o impulso necessário para retornar à Terra.
Assim, a agência espacial tomou uma decisão radical: transferir os dois astronautas para uma missão da SpaceX e fazer com que o Starliner voltasse vazio.
A análise do voo determinará quais medidas serão tomadas a partir de agora.
O programa já custou à Boeing 1,6 bilhão de dólares (8,84 bilhões de reais) a mais do que o planejado.