Candidatos do PT, PL e Podemos de João Pessoa (PB) apresentaram à Justiça Eleitoral, nesta quarta-feira, 11, pedido para que a eleição na capital paraibana inclua tropas federais. O pedido envolve a suspeita de que a eleição esteja sob influência da atuação de facções criminosas. A Polícia Federal investiga o caso.
O documento é assinado por Luciano Cartaxo (PT), Rui Carneiro (Nós podemos) e Marcelo Queiroga (PL), ex-ministro da Saúde de Jair Bolsonaro. Os três candidatos também acusam o prefeito Cícero Lucena (PP), que disputa a reeleição, de ter ligações com o crime organizado.
À reportagem, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba afirmou que o processo será analisado em breve.
“Isto não é uma aliança política, nem um ato eleitoral. Os cidadãos hoje não têm o direito de receber um candidato em casa, de fazer uma reunião”, afirmou Cartaxo em conferência de imprensa. “A relação entre crime organizado e prefeitura é muito séria, precisamos dar direito de ir e vir nas comunidades populares da cidade.”
A campanha de Lucena refutou as acusações e disse que os adversários se uniram em favor de “um festival de preconceitos, mentiras e ataques às instituições”. Afirmou ainda, em nota, que a tese levantada pelos candidatos busca manchar a sua imagem e a de João Pessoa.
As investigações da PF e da Polícia Civil contra organizações criminosas tornaram-se ponto central no debate eleitoral na capital paraibana. Na terça-feira, agentes saíram às ruas para cumprir mandados de busca e apreensão contra traficantes que supostamente coagiam eleitores. Foram encontrados cerca de 35 mil reais em dinheiro, além de celulares e contracheques de funcionários da prefeitura.
Outra investigação investiga uma suposta relação entre a prefeitura e uma facção local envolvida no tráfico de drogas. A investigação constatou que os dirigentes da organização negociaram cargos na administração municipal em troca de acesso gratuito às comunidades.
Entre os alvos da Operação Mandaré, lançada em maio, estava Janine Lucenasecretária executiva de Saúde e filha do prefeito. Na época, a gestora atribuiu as medidas ao fato de ter “recebido uma ligação do presídio” em seu telefone.
Com o início da campanha eleitoral, candidatos a prefeito relataram episódios de ameaças aos eleitores. Carneiro, por exemplo, registrou boletim de ocorrência e pediu escolta à PF ao cancelar reunião com moradores após criminosos proibirem a realização da reunião.
A última pesquisa da Quaest sobre a disputa em João Pessoa, divulgada no dia 27 de agosto, mostrou Lucena na liderança com 53% das intenções de voto. O petista teve 12%, seguido por Carneiro (11%) e Queiroga (7%). Os três estavam tecnicamente empatados.