O desembargador Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga, da 1ª Vara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, devolveu nesta quinta-feira, 12, ao Ministério Público do Rio de Janeiro a investigação sobre uma suposta “rachadinha” no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (PL).
O órgão denunciou sete servidores do gabinete, mas pediu o arquivamento do inquérito contra o filho de Jair Bolsonaro (PL), pois não foi possível “identificar qualquer indício de crime, apenas infração administrativa”.
Braga, no entanto, destacou “várias inconsistências formais e legais” e afirmou que não era possível decidir se aceitava as alegações e encerrava o restante da investigação.
“As inconsistências encontradas indicam contradições com a própria linha investigativa, que devem ser esclarecidas para a correta avaliação dos pedidos formulados”, escreveu o magistrado. Os detalhes da decisão foram revelados pelo jornal O Globo.
No caso de Carlos, o MP-RJ aponta elementos de improbidade administrativa, mas sustenta que quem receberia o dinheiro desviado seria o chefe de gabinete, Jorge Luis Fernandes. O juiz entende, por outro lado, que há uma contradição.
“O querido. promotor teria afirmado que há indícios de intenção (consciência e vontade) do parlamentar em permitir a existência de ‘funcionários fantasmas’ em seu gabinete sem ter recebido qualquer vantagem. Essas vantagens só seriam repassadas ao chefe de gabinete. Acontece que a redação do artigo 312, §1º, do Código Penal (peculato) permite a tipificação daqueles que competem para que possam ser subtraídos em benefício próprio ou de terceiros.”
A acusação do MP refere-se a um suposto esquema de corrupção entre 2005 e 2021.
Segundo o Ministério Público, Jorge Luiz Fernandes, com o apoio dos outros seis réus, teria criado a “rachadinha”, prática que consiste em desviar parte dos salários dos assessores para o líder do esquema.
O grupo era formado, segundo a investigação: Juciara da Conceição Raimundo da Cunha, Alexander Florindo Baptista Junior, Thiago Medeiros da Silva, José Francisco dos Santos, Andrea Cristina da Cruz Martins e Regina Célia Sobral Fernandes, além de Jorge Fernandes. Todos os envolvidos foram indicados para cargos de assessoramento no gabinete de Carlos Bolsonaro no período investigado.
O MP-RJ argumenta que Fernandes, pela proximidade com a família Bolsonaro, conseguiu a nomeação dos demais réus, que repassaram parte de seus salários para ele. O esquema teria resultado em um desvio de pelo menos 1,7 milhão de reais.