O Exército abriu, nesta terça-feira, 27, um inquérito policial militar para investigar quatro coronéis que escreveram, em 2022, uma carta para pressionar o comando da instituição a dar um golpe e impedir a posse do presidente eleito Lula (PT).
Os militares que serão investigados por possíveis crimes são os coronéis Alexandre Castilho Bitencourt da Silva e Anderson Lima de Moura (ambos na ativa) e coronéis da reserva Carlos Giovani Delevati Pasini e José Otávio Machado Rezo Cardoso.
Pelas regras, o Exército tem 30 dias, prorrogáveis por mais 30, para concluir a investigação. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmado por CartaCapital.
Um inquérito, aberto pelo comandante Tomás Paiva para investigar o caso, apontou que houve um possível crime militar na redação e publicação do texto.
A carta foi encontrada no celular de Mauro Cid, tenente-coronel do Exército Brasileiro e ex-ajudante de campo do então presidente Jair Bolsonaro (PL), durante investigações da Polícia Federal.
O texto produzido tinha como alvo o general Marco Antônio Freire Gomes, que comandava o Exército na época. A ideia era que o documento fosse assinado por um grande número de dirigentes.
Assim que começou a circular, o próprio Exército alertou os fardados sobre os riscos de aderir ao movimento.
O que a carta dizia
A carta golpista pedia, entre outras coisas, que o Exército atuasse em uma ação de Garantia da Lei e da Ordem, argumentando que o mecanismo seria o papel constitucional da Força para garantir a preservação dos Poderes naquele momento. A GLO foi vista pelos bolsonaristas como ponto fundamental para o golpe planejado.
Os oficiais afirmaram no texto que estavam “sempre prontos para cumprir as suas missões” e citaram os “objectivos nacionais” acima dos “interesses pessoais”. Em outro trecho, pediram ‘coragem’ aos soldados naquele momento.
“Covardia, injustiça e fraqueza são os atributos mais abomináveis para um soldado. Nossa nação, que entrega os mais altos níveis de confiança nas Forças Armadas, sabe que seus militares não vão abandoná-las”, afirmou.
O texto também pedia aos comandantes que tomassem iniciativas para o “restabelecimento imediato da lei e da ordem, preservando a liberdade individual de cada cidadão brasileiro de expressar ideias e opiniões”. O contexto do pedido era oferecer proteção aos golpistas acampados em frente ao quartel do Exército.