Eleito para comandar a bancada evangélica no Senado até novembro, o senador Zequinha Marinho (Podemos) é alvo de uma investigação do Supremo Tribunal Federal que visa uma organização criminosa responsável pela grilagem de terras indígenas no Pará.
O caso foi encaminhado à Justiça pelo Tribunal de Justiça do Pará no final de junho e tramita em sigilo desde o dia 15, sob relatoria da ministra Cármen Lúcia. O parlamentar é acusado de fazer advocacia administrativa em favor de grileiros.
A investigação começou em agosto de 2022, quando o Ibama localizou cinco barracos, veículos e mais de 50 pessoas no território durante fiscalização na Terra Indígena Ituna-Itatá. As pessoas estavam desmatando a área com o objetivo de construir um loteamento ilegal.
Segundo investigadores da Polícia Federal, a invasão foi liderada por Jassônio Leite, considerado um dos maiores grileiros da Amazônia. O homem tinha ligações com Zequinha e um de seus assessores parlamentares, que usaram seu mandato na Câmara Alta para “interferir nos interesses econômicos que conflitam com a demarcação” da TI.
Quando a investigação foi encaminhada ao Supremo, o senador disse ao Metrópoles que “nunca apoiou e nunca apoiará suspeitos de invasão de terras públicas e destruição de vegetação nativa”. Afirmou ainda que famílias de agricultores que se deslocaram de diferentes pontos do país para o local não podem ser “vistas e tratadas como ‘invasores e grileiros’, nem como criminosos”.
Zequinha Marinho foi deputado federal por três mandatos antes de ascender à Câmara Alta em 2018. Nas últimas eleições, disputou o governo do Pará com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra o emedebista Helder Barbalho.
Sua trajetória na política é marcada por casos polêmicos. O parlamentar surgiu no noticiário político após ser identificado como um dos integrantes do “Escândalo Sanguessuga”, esquema de desvio de dinheiro público destinado à compra de ambulâncias superfaturadas, em 2006.
Alguns anos depois, ficou conhecido como o ‘deputado da caixinha’ pela suposta cobrança de 5% sobre os rendimentos dos funcionários dos gabinetes parlamentares, cujos recursos seriam destinados ao Partido Social Cristão (PSC). Ele ainda enfrenta ação penal no Tribunal Regional Federal da 1ª Região pelo caso.
Zequinha também foi acusado de agir para liberar mais de 226 mil metros cúbicos de madeira em tora apreendidos pela PF durante operação na fronteira do Pará e Amazonas. Ó salão foi revelado pelo então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante entrevista à rádio CBNem abril de 2021.